ICE BAND

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No Aglomerado Serra

terça-feira, 6 de novembro de 2007

novembro negro?

Definido no calendário nacional como mês da igualdade racial, novembro reforça o ideal de lutas por nossa identidade cultural. Mês em que lembramos Zumbi, Dandara, Rainha Quelé, Mãe Menininha do Gantois, Gregório de Matos, Bezerra da Silva, Preto Ghoez, Denner, Sabotage, Tim Maia, enfim, vários intelectuais, músicos, artistas e guerreiros, que morreram em prol de vida digna para nosso povo, que sempre foi excluído da distribuição de renda. Brasil, este País maravillhoso, ocupado pelos europeus com ganância de roubar nossas riquezas naturais. Brasil, este país maravillhoso que tem uma dívida histórica com este povo com pele de cor de ébano, olhos sempre atentos e sorrisos largos, povo escravizado e humillhado pra alimentar a ganância de barões cafeeiros e baronezas sem escrúpulos e revoltadas, pois o barão ou o fazendeiro ou o capataz sempre preferiam a carne negra para satisfazer seus apetites, inclusive sexuaisl. Brasil, este país maravillhoso, que tem em seus mendingos e prostitutas e ladrões a herança de uma europa desmoralizada pois no momento da invasão mandaram para cá uma estirpe humana da pior espécie. Estes mesmos europeus passaram pelo Continente Africano e roubaram jovens, mullheres e crianças de seu berço de nascimento e os trouxeram a escravidão. Brasil, este país maravilhoso, que não cuida de seus idosos e crianças. Nos deram a liberdade dos grillhões, mas não nos deram um lar. Os mais espertos construíram suas casas nos morros, que mais tarde seriam chamadas de favelas e nos tempos atuais, para mascarar a realidade, são chamadas de comunidades. Alguns não tiveram sequer esta sorte e, no caminho da delinquência, nas cadeias, engordam as estátisticas de que cadeia só pra 3: pobre, puta e preto. Agora Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais. Nos anais da história está escrito que este foi o último estado a conceder liberdade aos negros e negras do nosso país. Vergonha? Desrespeito? Falta de amor ao próximo ou simplesmente ganância. Seja lá por que for, autoridades mineiras e brasileiras devem o nosso povo. Vamos reverenciar os que morreram em favor da construção de um país realmente digno para todos, mas principalmente fortalecer os grupos e pessoas negras que já se destacaram e se colocam a favor do fortalecimento da etnia negra, memória, passado, presente e futuro, e da história da humanidade. O mundo é global, o povo negro é global. Vamos lutar por vida melhor no Brasil, mas também no Haiti, em Cuba e em toda América Latina, constantemente agredida pelas ambições imperialistas dos Estados Unidos. Convoco todas e todas a estar presente no dia 20 de novembro na Praça 7, no Centro de BHZ, para reivindicarmos nossos direitos. Vivemos numa nação construída pelos negros e governado pela elite burguesa. Que os mortos sejam sempre lembrados, e viva os vivos. Apesar de tudo, somos muitos os vitoriosos. Benedita da Silva, Mano Brow, Rapin Hood, Jorge Aragão, Seu Jorge, Giberto Gil, Leci Brandão, Família NUC, Áurea Carolina (Feliz Aniversário e saúde, guerreira), Marcos Cardoso, Ricardo Aleixo, Negras Ativas, Euzelina Dóris, Babilak Bah, Ibrahyma Gaye, MV Bill, Realistas NPN, Família Crime Verbal, rapper Moon, Os Sobreviventes, e tantos outros, que ajudam a construir espaços legitimos para a discussão e fortalecimento da diáspora africana em nosso país.